
Poucas decisões pesam tanto no bolso de um dono de PME quanto a escolha do regime tributário. É comum ouvir que o Simples Nacional é sempre a opção mais barata, mas isso simplesmente não é verdade em muitos casos. Dependendo da sua atividade, da sua margem de lucro e do tamanho da sua folha de pagamento, o Lucro Presumido pode custar bem menos no fim do ano.
Neste artigo, a Equipe HUB explica em linguagem clara como cada regime calcula o imposto, quais tributos entram na conta, o que é o famoso Fator R e, principalmente, quais sinais mostram quando um regime vence o outro. O objetivo não é cravar um número mágico, porque cada empresa é um caso, e sim te dar o raciocínio certo para simular com segurança.
Resumo rápido
- Não existe regime universalmente mais barato: a resposta depende de atividade, margem de lucro real e folha de pagamento.
- No Simples Nacional você paga uma guia única (DAS) com alíquota efetiva que cresce conforme o faturamento; no Lucro Presumido os tributos são apurados e recolhidos separadamente.
- O Fator R decide se empresas de serviço caem no Anexo III (mais barato) ou no Anexo V do Simples: o limiar é 28% da receita gasta com folha.
- Comparar só a alíquota nominal é um erro clássico: é preciso considerar INSS patronal, pró-labore e retenções na fonte.
- A opção pelo regime é feita normalmente em janeiro e vale para o ano todo, por isso o ideal é simular com antecedência, ainda no fim do ano anterior.
O que é o Simples Nacional e como ele calcula o imposto
O Simples Nacional é um regime unificado voltado a micro e pequenas empresas, com limite de faturamento de R$ 4,8 milhões por ano. A grande vantagem é a simplicidade: você recolhe a maioria dos tributos em uma guia única, o DAS, com data única de pagamento por mês.
O cálculo parte de tabelas divididas em anexos (do I ao V), conforme a atividade da empresa. Cada anexo tem faixas de faturamento com uma alíquota nominal e uma parcela a deduzir. É aqui que mora um erro comum: a alíquota que a empresa paga de fato, chamada alíquota efetiva, é sempre menor que a nominal da tabela, justamente por causa dessa parcela a deduzir. Quanto mais a empresa fatura ao longo do ano, maior tende a ficar essa alíquota efetiva.
- Comércio e indústria costumam se enquadrar nos Anexos I e II.
- Serviços caem nos Anexos III, IV ou V, dependendo da atividade e do Fator R.
- A alíquota efetiva é progressiva: cresce conforme sobe o faturamento acumulado dos últimos 12 meses.
- Alguns tributos, como o INSS patronal, já entram no DAS na maioria dos anexos, o que simplifica a rotina.
O que é o Lucro Presumido e por que ele pode surpreender
O Lucro Presumido é um regime em que o governo presume qual seria o seu lucro a partir de um percentual aplicado sobre o faturamento, e é sobre esse lucro presumido que incidem o IRPJ e a CSLL. O limite de faturamento é bem mais alto, R$ 78 milhões por ano, então ele atende empresas que já saíram do porte do Simples e também as que ainda cabem nele, mas fazem mais conta.
Diferente do Simples, aqui os tributos são apurados e pagos separadamente, cada um com sua regra e seu prazo. Isso dá mais guias para controlar, porém abre espaço para economia quando a margem de lucro real da empresa é maior que o percentual presumido, porque você paga imposto sobre um lucro estimado que pode ser menor do que o que efetivamente ganhou.
- IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro presumido (percentual sobre o faturamento).
- PIS e Cofins costumam ser calculados sobre o faturamento no regime cumulativo.
- ISS (serviços) e ICMS (comércio e indústria) seguem as regras de município e estado.
- O INSS patronal é recolhido à parte, em geral com alíquota sobre a folha, o que pesa mais em empresas com muitos funcionários.
Percentuais de presunção: o coração do Lucro Presumido
No Lucro Presumido, o percentual de presunção varia conforme a atividade, e ele muda completamente a conta. Para o IRPJ, comércio e indústria costumam ter presunção de 8% sobre o faturamento, enquanto a maioria dos serviços fica em 32%. Existem percentuais intermediários para atividades específicas, como transporte de cargas e alguns serviços, além de presunções reduzidas para casos como revenda de combustível.
A lógica é simples de entender: quanto menor o percentual de presunção da sua atividade, menor a base sobre a qual o imposto é calculado. Por isso o Lucro Presumido tende a ser atraente para comércio com boa margem e para prestadores de serviço cuja margem real supera com folga o percentual presumido. Como esses percentuais e algumas regras variam por atividade e podem mudar com a legislação, o certo é confirmar o enquadramento exato da sua empresa antes de decidir.
- Comércio e indústria: presunção de IRPJ em torno de 8% do faturamento.
- Serviços em geral: presunção de IRPJ em torno de 32% do faturamento.
- Transporte de cargas: percentual intermediário, menor que o de serviços gerais.
- A CSLL tem seus próprios percentuais de presunção, diferentes dos do IRPJ.
Fator R: o divisor de águas para empresas de serviço
Se a sua empresa presta serviços, o Fator R pode ser a informação mais importante deste artigo. Ele é uma conta que compara quanto você gasta com folha de pagamento em relação ao seu faturamento, sempre olhando os últimos 12 meses. A fórmula é a folha dos últimos 12 meses dividida pela receita bruta dos últimos 12 meses.
O limiar mágico é 28%. Quando o resultado fica igual ou acima de 28%, a atividade é tributada pelo Anexo III, que começa com alíquotas menores. Quando fica abaixo de 28%, ela vai para o Anexo V, que parte de alíquotas mais altas. Ou seja, uma empresa com folha enxuta pode pagar bem mais imposto no Simples justamente por cair no Anexo V. Por isso o Fator R precisa ser recalculado mês a mês, já que folha e receita variam.
- Fórmula: folha dos últimos 12 meses dividida pela receita bruta dos últimos 12 meses.
- Fator R igual ou acima de 28%: atividade no Anexo III (alíquotas iniciais menores).
- Fator R abaixo de 28%: atividade no Anexo V (alíquotas iniciais mais altas).
- Entram na folha: salários, pró-labore dos sócios, 13º, INSS e FGTS, entre outros encargos.
- Um pró-labore bem dimensionado pode ser a diferença entre pagar mais ou menos imposto.
Quando cada regime tende a pagar menos
Não dá para responder com uma frase, mas dá para reconhecer padrões. O Simples costuma vencer quando o faturamento e as margens são menores e quando a empresa de serviço mantém o Fator R igual ou acima de 28%, garantindo o Anexo III. Já o Lucro Presumido tende a ganhar quando a margem de lucro real é bem maior que o percentual de presunção da atividade, ou quando a empresa de serviço tem folha baixa e cairia no Anexo V do Simples.
O grande erro é comparar apenas a alíquota nominal do Simples com a soma dos tributos do Presumido. Essa comparação ignora peças importantes, como o INSS patronal, o pró-labore e as retenções na fonte que existem no Lucro Presumido em certas prestações de serviço, mas não no Simples. Só uma simulação lado a lado, com os números reais da sua empresa, mostra a verdade.
- Simples tende a vencer: faturamento e margens menores, ou serviço com Fator R igual ou acima de 28%.
- Lucro Presumido tende a vencer: margem real bem acima da presunção, ou serviço com folha baixa (Anexo V).
- Lembre do INSS patronal e do pró-labore: eles pesam de formas diferentes em cada regime.
- Considere também a burocracia: o Simples tem guia única, enquanto o Presumido exige controlar várias guias e prazos.
Como a HUB ajuda você a pagar o imposto certo
Escolher entre Simples Nacional e Lucro Presumido não é uma aposta, é uma conta. E é uma conta que muda conforme a sua empresa cresce, contrata, muda de atividade ou ajusta a margem. Contabilidade automática que só gera DAS não faz esse trabalho por você. A HUB Consultoria e Gestão Contábil faz contabilidade de verdade, feita por gente, que analisa os seus números, simula os cenários lado a lado e acompanha de perto para você não pagar imposto a mais.
No nosso serviço de Planejamento Tributário, colocamos os dois regimes na balança com os dados reais do seu negócio e mostramos, com clareza, qual caminho paga menos e por quê. Peça um diagnóstico gratuito e converse com nosso time humano no WhatsApp (34) 9731-8867, atendimento até 22h. São mais de 12 anos de experiência, com registro no CRC/MG, prontos para ajudar a sua empresa a decidir com segurança.




