
Se o seu negócio começou como MEI e vem crescendo, uma hora a conta aperta: o faturamento sobe, aparece a vontade de contratar mais gente, entra um sócio ou surge uma atividade nova. É nesse ponto que muita gente ouve falar em desenquadramento do MEI e fica em dúvida se está fazendo algo errado. A boa notícia é que deixar de ser MEI, na maioria das vezes, não é castigo. É sinal de que o negócio amadureceu e precisa de um enquadramento à altura.
O problema é que o desenquadramento tem regras específicas, prazos que confundem e uma armadilha silenciosa: ultrapassar o limite de faturamento acima de um certo ponto pode gerar cobrança retroativa de impostos, com juros e multa. Neste artigo, a Equipe HUB explica em bom português quando você precisa sair do MEI, como fazer isso passo a passo e o que muda quando você vira Microempresa, para que a transição seja planejada e não uma surpresa desagradável.
Resumo rápido
- Desenquadramento do MEI é sair da categoria de Microempreendedor Individual (do SIMEI). Não confunda com exclusão do Simples Nacional, que geralmente acontece por dívidas.
- Existem tres caminhos: por opção (você decide sair), obrigatório (estourou uma regra, como faturamento ou sócio) e automático (a Receita faz de ofício quando identifica o motivo).
- O limite atual do MEI é de R$ 81 mil por ano. Ultrapassar em até 20% (até R$ 97.200) tem um efeito. Ultrapassar acima de 20% tem outro, bem mais caro, com efeito retroativo.
- Faturamento não é o único motivo: ter sócio, contratar mais de um empregado, incluir atividade não permitida ou abrir filial também obrigam a sair do MEI.
- Ao virar Microempresa (ME), você passa a ter contador obrigatório e impostos que variam conforme o faturamento, não mais o valor fixo do DAS.
O que é o desenquadramento do MEI (e o que ele não é)
Desenquadramento do MEI é o processo de sair da categoria de Microempreendedor Individual. Na prática, é deixar o SIMEI, que é aquele regime simplificado onde você paga tributos em um valor fixo mensal (o DAS do MEI) e tem obrigações bem enxutas. Ao se desenquadrar, o CNPJ continua existindo, mas passa a ser tratado como Microempresa (ME) ou, dependendo do porte, Empresa de Pequeno Porte (EPP), com outras regras de tributação e mais obrigações.
Aqui mora a confusão mais comum: desenquadramento não é a mesma coisa que exclusão do Simples Nacional. O desenquadramento tira você da condição de MEI, quase sempre por crescimento (faturou mais, contratou, cresceu a operação). Já a exclusão do Simples Nacional costuma acontecer por dívidas tributárias ou irregularidades, e normalmente vem acompanhada de um Termo de Exclusão. São coisas diferentes, com causas e consequências distintas, e tratar uma como se fosse a outra leva a decisões erradas.
Os tres tipos de desenquadramento
Nem todo desenquadramento acontece do mesmo jeito. Entender qual é o seu caso ajuda a saber o que fazer e quando.
Em todos os casos, o ponto central é o mesmo: quanto antes você percebe a situação, mais opções tem para se planejar. Descobrir só no fim do ano que estourou uma regra tira quase todo o espaço de manobra.
- Por opção (voluntário): você decide sair do MEI mesmo sem ter estourado nenhum limite, geralmente porque quer contratar sócio, ampliar atividades ou porque já enxerga o crescimento chegando. É uma escolha estratégica.
- Obrigatório: acontece quando você ultrapassa uma regra, como o limite de faturamento, número de empregados ou entrada de sócio. Nesse caso, você é obrigado a comunicar o desenquadramento à Receita dentro de um prazo.
- Automático (de ofício): quando você não comunica, mas a Receita Federal identifica o motivo cruzando dados (notas fiscais, maquininhas de cartão, declarações, movimentação bancária). Ela mesma faz o desenquadramento, e aí o processo costuma vir com multa.
Quando você é obrigado a deixar de ser MEI
Muita gente acha que só o faturamento manda no desenquadramento, mas existem várias situações que obrigam a sair do MEI. Vale conhecer todas para não ser pego de surpresa.
Se qualquer uma dessas situações acontecer, o correto é comunicar o desenquadramento e planejar a migração. Ignorar não faz o problema sumir, apenas transfere o custo para frente, geralmente maior.
- Ultrapassar o limite de faturamento anual, hoje fixado em R$ 81 mil por ano (o equivalente a uma média de R$ 6.750 por mes).
- Contratar mais de um empregado, já que o MEI só pode ter um funcionário.
- Ter ou entrar como sócio de uma empresa, seja como titular, sócio ou administrador de outro negócio.
- Incluir no CNPJ uma atividade (CNAE) que não é permitida ao MEI.
- Abrir filial, o que também é incompatível com a condição de Microempreendedor Individual.
O ponto mais delicado: ultrapassar o limite de faturamento
Aqui está a parte que mais gera dor de cabeça e cobrança inesperada. Quando o assunto é excesso de faturamento, existem duas faixas com efeitos bem diferentes, e é fundamental saber em qual você caiu.
Se você abriu o MEI no meio do ano, o limite não é o valor cheio: ele é proporcional aos meses de atividade (aproximadamente R$ 6.750 por mes de funcionamento no ano). Isso engana muita gente que abre o CNPJ em agosto, por exemplo, e acha que tem os R$ 81 mil inteiros disponíveis. Como esses valores e faixas podem mudar por regra ou por caso específico, o ideal é confirmar a sua situação exata em um diagnóstico antes de tomar qualquer decisão.
- Excesso de até 20% (faturamento até R$ 97.200 no ano): você continua como MEI até dezembro, paga um DAS complementar sobre o valor que passou do limite e migra para ME a partir de janeiro do ano seguinte. É o cenário mais tranquilo.
- Excesso acima de 20% (faturamento acima de R$ 97.200 no ano): aqui o desenquadramento é retroativo ao início do ano-calendário. Na prática, todos os tributos do ano precisam ser recalculados como se você já fosse empresa do Simples Nacional desde janeiro, com incidência de juros e multa. É o cenário caro e que pega muita gente de surpresa.
- Regra das compras: a partir do segundo ano de atividade, comprar mercadorias e insumos acima de 80% do que você faturou também pode caracterizar situação que leva ao desenquadramento. Não é só o que entra de receita que conta.
Passo a passo para comunicar o desenquadramento
O desenquadramento por opção ou obrigatório é feito pelo Portal do Simples Nacional, na área do SIMEI. O processo em si é simples, mas os detalhes de acesso e prazo fazem diferença.
Sobre os prazos, guarde esta lógica: quando o desenquadramento é por opção, se você comunica em janeiro, ele vale já no mesmo ano; se comunica de fevereiro a dezembro, só passa a valer a partir de janeiro do ano seguinte. Nos casos obrigatórios, existe prazo para comunicar após a ocorrência do motivo (em geral até o último dia útil do mes seguinte), e não comunicar sujeita você a multa a partir de R$ 50, além do desenquadramento de ofício pela Receita.
- Acesse o Portal do Simples Nacional e localize a opção de comunicação de desenquadramento do SIMEI.
- Faça login com o CNPJ, o CPF do titular e o Código de Acesso (ou por certificado digital ou conta gov.br, conforme disponível).
- Informe o motivo do desenquadramento (por opção ou obrigatório) e a data ou o ano em que ele deve produzir efeito.
- Guarde o comprovante da comunicação e fique atento à entrega da DASN-SIMEI, a declaração anual do MEI, e ao eventual DAS complementar sobre o valor excedente.
- Confirme depois, no próprio Portal, se a situação do CNPJ já consta como desenquadrado.
O que muda quando você vira Microempresa (ME)
Deixar de ser MEI não é só um clique no portal. Depois de se desenquadrar, o negócio passa a operar como ME e precisa se organizar em outras frentes, dentro e fora da Receita Federal.
Além da parte tributária, há a formalização em outros órgãos: o registro na Junta Comercial, a definição da natureza jurídica (como Empresário Individual ou Sociedade Limitada Unipessoal, a SLU), a atualização da Inscrição Municipal na Prefeitura e, quando houver, da Inscrição Estadual na Sefaz. É um conjunto de etapas que pede acompanhamento para não deixar pendência para trás.
- Contador passa a ser obrigatório, porque a ME tem escrituração e obrigações que o próprio empreendedor dificilmente consegue tocar sozinho.
- Os impostos deixam de ser um valor fixo e passam a variar conforme o faturamento, normalmente dentro do Simples Nacional, com alíquotas por faixa.
- Aumentam as obrigações acessórias: emissão de notas fiscais de forma mais estruturada, folha de pagamento e contribuição patronal quando há funcionários.
- É possível voltar a ser MEI depois (reenquadramento), desde que o negócio volte a cumprir todos os requisitos da categoria. O desenquadramento nem sempre é definitivo.
Como a HUB pode ajudar na sua transição de MEI para ME
Deixar de ser MEI é um momento que pede método: entender em qual situação você se enquadra, escolher a natureza jurídica certa, cuidar dos registros na Junta Comercial, na Prefeitura e na Sefaz e ajustar a tributação para pagar o justo, sem sustos retroativos. Na HUB Consultoria e Gestão Contábil, esse acompanhamento é o que a gente faz de perto, todos os dias, com contabilidade consultiva de verdade, feita por gente que analisa o seu caso e planeja junto com você, não uma contabilidade automática que só emite guia.
Se você desconfia que está chegando perto do limite ou já recebeu algum aviso da Receita, comece por um diagnóstico gratuito com a nossa equipe. Somos de Uberlândia, atendemos todo o Brasil de forma online, temos mais de 12 anos de experiência e registro no CRC/MG, e nosso atendimento humano no WhatsApp vai até as 22h no (34) 9731-8867. Vamos olhar os seus números com calma e mostrar o melhor caminho para o seu negócio continuar crescendo com o enquadramento certo.




